Análise: Com Amor, Van Gogh (2017)

Com amor, Van Gogh, uma homenagem inovadora e sincera.

Quando pensamos em animação sempre vem a cabeça filmes da Disney, Pixar, Dreamworks e outras empresas de animação, em sua maioria voltada para o publico infantil e com um toque de comedia, porém Com amor, Van Gogh chega como uma proposta inovadora, muito bem executada e impressionante.

O longa como diz o nome, conta a história complexa do pintor Vincent Van Gogh, história essa que se inicia apenas um ano após o suicídio do artista, sendo conduzida pelo filho de um carteiro que tem como objetivo levar uma carta escrita por Van Gogh para o irmão do artista, Theo. Por si só a forma que o filme tenta nos contar a história já é diferente e chama a atenção, porém o maior trunfo do filme está em seu visual.

Como dito anteriormente, o longa é uma animação…. mas não é qualquer animação, ele foi filmado com atores reais (e renomados) como Douglas Booth, Jerome Flynn, Saoirse Ronan, Helen McCrory e Chris O”Dowd, e após as filmagens uma equipe de 115 artistas pintaram sobre os 65.000 do longa, transformando ele na primeira “obra prima animada” da história do cinema.

Se surpreender com o filme é inevitável, não ficar abismado e apaixonado pelas cenas que recriam quadros do artista e mostram de maneira singela e sutil a vida do pintor é praticamente impossível. A cada momento que se pausa o filme temos um quadro que poderia ser emoldurado e pendurado na parede de qualquer grande museu pelo mundo.

A trama do filme é simples, sem muita profundidade e funciona como um documentário da vida do pintor que viveu boa parte da vida na miséria arrancou a própria orelha, tinha diversos problemas em se comunicar e interagir com os demais, começou a pintar com mais de 30 anos, produziu mais de 1.000 quadros durante sua vida e pode ver apenas 01 ser vendido, visto que todos os seus quadros e fama eclodiram depois de sua morte (o quadro mais bem avaliado de Van Gogh foi vendido em  1990 por USD 82,5 milhões).

Os diálogos e desenvolvimento da trama são fracos se levarmos em conta todas as reviravoltas e informações da vida de Vincent. O filme se limita a ser apenas um interrogatório com as pessoas que fizeram parte da vida e quadros de Van Gogh, não indo muito além, o que é uma pena, pois seria um complemento magnifico para o visual estonteante do filme.

No fim, mesmo tendo pontos fracos em seu roteiro Com Amor, Van Gogh é uma incrível e necessária experiência, um marco para as animações, um projeto que merece o destaque e atenção pela sua complexidade e beleza, transformando a trágica e difícil vida De Vincent Van Gogh uma obra de arte, tais quais suas pinturas.

NOTA:  (BOM)

Texto por: Luis Hunzecher