Análise: Pantera Negra (2018)

Pantera Negra, a prova de que bons vilões e cenários incríveis são ingredientes fundamentais para um bom filme.

Wakanda, o grande centro de tecnologia do universo Marvel, um pais que fugindo da lógica, conseguiu se desenvolver mais do que o restante do mundo mesmo sendo fechado para negociação e troca com outras nações, podemos resumir como a Coreia do Norte que deu certo. Com essa questão em mãos a Marvel Studios teve a missão mais importante e difícil até o momento, nos apresentar este país que é tão vivo, cheio de cultura e história, que podemos considerar como um “personagem” no universo do Pantera Negra, e felizmente essa missão foi realizada com honra.

Na história, T’Challa (Chadwick Boseman) vira herdeiro do trono de Wakanda após a morte do seu pai (cena mostrada rapidamente em Guerra Civil), e junto com o trono ele deve assumir o manto de Pantera Negra, protetor e guerreiro do país que conta com os gadgets e melhorias tecnológicas confeccionadas por sua irmã Shuri (Letitia Wright). Vale citar que Shuri possui a melhor construção como personagem no filme, bem como as melhores falas e momentos, nos deixando mais ansioso ainda para um possível encontro dela com o Tony Stark. Ao lado de T’Challa temos a general de Wakanda, Okoye (Danai Gurira), a espiã Nakia (Lupita Nyong’o) e o guardião das fronteiras do país e amigo de T’Challa, W’Kabi (Daniel Kaluuya).

O primeiro fator inegável em Pantera Negra é que esse é o filme com os cenários, visuais e cenas mais incríveis de todos os filmes da Marvel até hoje. Todo o cenário, a mistura de cultura, tradição e tecnologia que Wakanda possui não ficaram mal expostas para o espectador, tudo foi feito com muito carinho e cuidado para garantir que a cada frame nos conectássemos mais e mais com aquele povo. Todo o “afro-futurismo” apresentado nessa pequena nação no leste da Africa por si só já vale o ingresso, mas felizmente o filme não se sustenta apenas nesse fato.

A trilha sonora do filme composta por Ludwig Göransson junto com Kendrick Lamar é uma combinação muito bem feita entre batidas primitivas, grunhidos e ronronar de animais que cria uma atmosfera muito interessante e que enriquece ainda mais o universo do personagem.

Um grande ponto positivo para o filme é o fato dele não se apoiar em participações de outros heróis ou referências cruzadas com outros filmes para dar andamento na história, o filme é contido, entende seu proposito e trabalha focado em desenvolver aquela história que é tão importante para aquele núcleo de Wakanda. Todos os personagens principais possuem seu momento de destaque no filme e tempo de tela para desenvolver, mesmo que pouco, suas personalidades, e isso inclui a mais grata surpresa desse filme … o vilão Kilmonger (muito bem interpretado por Michael B. Jordan) que entra junto com Loki e Coringa no hall dos vilões que se destacam mais do que os heróis, com um background muito bem construído e um crescimento no decorrer do filme e flashbacks digno de qualquer grande drama, nos  fazendo questionar as ações e decisões do Pantera Negra e ate mesmo nos fazendo torcer por Kilmonger.

Outro ponto que merece destaque no longa é a participação feminina de Kania, Shuri e Okoye, mulheres guerreiras que remetem muito as amazonas e mostram de uma maneira muito sutil o quão importante elas são para aquele universo e o quão influente elas podem ser para o futuro dos personagens e de seu povo.

O ponto negativo do longa fica para o desenvolvimento de T’Challa, que acaba sendo raso e dúbio em alguns momentos, dando muito espaço para o vilão se destacar nas sombras do herói. Além disso, o CGI do filme é um ponto que a Marvel precisa rever, pois no trailer de Vingadores 3 notamos o uso exagerado do mesmo, que também é visto em Pantera Negra e remete as cenas de CGI do primeiro Homem-Aranha do Sam Raimi, ficando nítido que aquilo não passa de um boneco, quebrando um pouco todo o clima construído no filme.

Pantera Negra é um filme que trata dos problemas que temos hoje no mundo usando Wakanda como foco, onde preconceito, discriminação e problemas sociais são apresentados como combustível para conduzir uma história que vai muito além de um embate entre Herói e vilão, bem e mal, ele nos mostra que nem tudo é sim e não, branco e escuro, certo ou errado, que pontos de vista podem influenciar uma decisão e que as decisões que tomamos podem mudar a vida de quem está a nossa volta.

NOTA:   (MUITO BOM)

Texto por: Luis Hunzecher