Análise: The Handsmaid’s Tale – um futuro assustador

Por que você deve assistir The Handsmaid’s Tale ?

“Under his Eye”, esse é o comprimento mais ouvido na republica de Gileade (referência ao monte de testemunho citado na bíblia) em The Handsmaid’s Tale, uma saudação simples e tenebrosa ao mesmo tempo em um futuro terrível e sombrio.

Em um dos primeiros episódios da série a personagem Janine (Madeline Brewer)  tem seu olho direito arrancado após desobedecer uma ordem dentro do centro vermelho, local onde as Aias são treinadas e instruídas para seguir as crenças de Gileade, republica essa onde o único papel que essas mulheres sequestradas tem é de procriar, servindo os grandes comandantes em um ritual pseudo religioso, desagradável e repugnante.

Muito se falou sobre a importância dessa série no momento atual do mundo e principalmente dos Estados Unidos que passam por grande turbulência com a eleição de Trump, fazendo com que a história de Handsmaid’s tale seja o mais atual possível, mesmo sendo baseada em um livro de Margaret Atwood escrito em 1985.

No centro da história, temos June (Elisabeth Moss), rebatizada de Offred após ter seu marido assassinado, sua filha raptada e sua alma dilacerada para se tornar uma serva do comandande Fred (Offred = off Fred – do Fred) interpretado por Joseph Fiennes, onde ela é reprimida, proibida de ter posses, emprego, ler, escrever, sendo obrigada a apenas reproduzir com o Comandante, já que as Aias são escolhidas pelo fato de serem mulheres férteis, diferente de Serena (Yvonne Strzechowski) esposa do comandante que é infértil e não possui a dádiva da vida.

Moss tem um papel incrível e consegue passar toda a melancolia da personagem para nós, uma melancolia que com o passar dos episódios vai se transformando em raiva e repulsa tanto da personagem quanto do telespectador. Os momentos que a série alterna entre Flashbacks e atualidade funcionam perfeitamente para mostrar como a sociedade chegou ao ponto atual e como Gileade se ergueu em uma pilha de mentiras e corrupção maquiados em uma sociedade harmoniosa e claramente favorável para uma parcela da população apenas.

The Handsmaid’s Tale é incomoda, sensível, complexa e necessária, fazendo com que paralelos entre ficção e realidade se tornem fáceis e assustadores, mostrando o quão próximo do precipício nossa sociedade atual está. Bendito seja o fruto!

 

Texto por: Luis Hunzecher