SANATÓRIO: O Último Uber

Segunda feira, meia noite e quinze.
Parabéns pra mim, a trouxa que quis ficar até mais tarde pra terminar o relatório, esqueceu da hora e acabou ficando sem ônibus pra ir pra casa. O jeito é pegar um Uber.

Cinquenta e quatro reais. Puta que pariu.

Mas é bem feito. Quem sabe assim eu paro de querer agradar gerente e começo a pensar na minha saúde mental e física. Trabalhar até depois da meia noite e nem ganhar hora extra pra isso.

Sempre aparece o tempo de chegada de 3 minutos no aplicativo, mas demora demais esses três minutos para o carro chegar.

Deixa eu ver…placa 4309…é esse mesmo.

Nossa, to morrendo de fome e nem pra ter uma bala no carro. Não tem água, não perguntou se eu queria o ar condicionado ligado ou desligado… Porra, tá foda.
Se bem que deve ser a última viagem do cara hoje. Eu também não iria repor nada ou bancar o poço de simpatia  na última viagem do dia, principalmente depois da meia noite.

Ué, porque ele virou aqui? Vai dar uma volta maior porque?
O Waze dele tá dando esse caminho mesmo…esse app é complicado, joga a gente em uns caminhos absurdos às vezes. Bom, o preço não vai mudar, então não importa… Só quero chegar em casa, tomar banho, comer e dormir.

Cacete, cochilei.

Mas onde é que eu tô? Porque o carro tá parado? Cadê o motorista?
Tá tudo escuro, só dá pra ver um muro e um portão lá fora…

Tem alguém vindo na direção do carro… com uma faca na mão!!! Meu Deus, preciso ligar pra alguém!!!

Essa bosta de celular travou na tela do Uber…

Perai.

Esse da foto não é o cara que veio dirigindo.

Escrito por: Tiago Sousa