Análise: Blade Runner 2049 (2017)

Blade Runner 2049 é uma ficção científica profunda, complexa e densa.

Sempre que falamos de filmes de ficção científica imaginamos robôs, máquinas mirabolantes e tudo que existe em um bom futuro, porem Ridley Scott foi além e trouxe a complexidade dos replicantes em Blade Runner, adaptação de um conto de Philip K. Dick. Em Blade Runner 2049 o diretor Denis Vileneuve mergulha mais fundo nesse universo incrível trazendo muito mais complexidade e melancolia para esse mundo.

Tudo em Blade Runner 2049 é devagar, fazendo com que você saboreie cada momento e frame, note cada detalhe mínimo que compõe aquela cena e traz vida para aquele universo.  Ao assistir o filme não podemos esperar uma ficção cientifica grandiosa, salvando o mundo cheio de explosões e momentos mirabolantes, em Blade Runner a historia acompanha a investigação do Agente K (Ryan Gosling) referente ao desaparecimento de uma criança, tudo em um clima muito intimista claustrofóbico e noir.

K é um Blade Runner (termo usado para caçadores de replicantes) e tal qual seu antecessor, o agente Deckard (Harrison Ford) ele é calado, observador e solitário, o detetive ideal. Na historia K deve tentar encontrar os rastros de uma criança que teoricamente é filha de um replicante, caçada essa que envolve executar replicantes (androides engenhados que tem somente uma missão para a vida e vivem por tempo limitado), um grande paradoxo tendo em vista que K também é um replicante.

A trama vai ganhando mais peso e complexidade durante o filme, deixando o espectador muitas vezes em duvida e questionando as decisões e ações dos personagens, fazendo entender que em Blade Runner não existe bem e mal, branco e preto, tudo é cinza, nebuloso e complexo, ninguém é totalmente inocente e muito menos culpado.

As atuações complementam a qualidade do longa, compondo as cenas que parecem pinturas de tão bonitas que são e ajudando e muito no andamento da historias. Os maiores destaques ficam para Gosling como K, Ana de Armas como o programa que acompanha o agente, Jared Leto como o “engenheiro” e criador de replicantes megalomaníaco Wallace e um pontinho pelo esforço de Harrison Ford (que não foi lá essas coisas).

Mesmo depois de 3 décadas Blade Runner continua sendo espetacular, trazendo uma trama completa e bem contada somada com um grande visual que faz jus ao original e acrescenta muitas camadas e possibilidades para o universo.

NOTA:   (EXCELENTE)

Texto por: Luis Hunzecher

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