Análise 02: Jogador Número 1 (2018)

Jogador Número 1 é um frenesi de referências e easter eggs muito bem orquestrado por Spielberg.

O que você faria se pudesse viver em um mundo conforme suas vontades? Se você pudesse ser quem você quisesse e fazer o que você desejasse? Esse questionamento é o que conduz a história de Jogador Número 1, o mais recente blockbuster de Spielberg que adapta o livro homônimo de Ernest Cline.

O universo que nos é apresentado vai além da realidade virtual que estamos acostumados, um futuro devastado onde a única fuga que as pessoas tem é o Oasis, jogo criado por James Halliday (Mark Rylance), um visionário tal qual Steve Jobs que entrega uma realidade virtual onde você pode viver e sentir suas experiências dentro do jogo.

Todo o arco da história acontece depois da morte de Halliday, que postumamente divulga um vídeo para todos os jogadores do Oasis dizendo que ele havia escondido três segredos no jogo, três Easter Eggs, e quem os encontrasse primeiro herdaria toda a sua fortuna e se tornaria o novo dono do jogo. Como qualquer bom filme sessão da tarde somos também apresentados a IOI, empresa maligna que quer a todo custo  conseguir o domínio do Oasis para tornar o jogo pago, tudo isso supervisionado pelo vilão Nolan Sorrento (Ben Mendelsohn ).

Em meio a todo esse cenário somos apresentados a Wade, ou melhor dizendo Perzival (Tye Sheridan), um caçador de ovos (conhecidos como Gunthers) que estuda e busca a todo custo encontrar o segredo deixado por Halliday. Com a ajuda de seus amigos Art3mis, Aech, Daito e Sho ele tenta a todo custo descobrir onde estão as chaves que levam até o tão valioso premio. Lendo esse paragrafo você vai notar que se parece muito com um roteiro de sessão da tarde… mas é essa a sensação que Spielberg nos passa com o filme, uma aventura leve, cheia de perigos e eletrizante protagonizada por adolescentes e com uma mensagem de que existem coisas que somente no mundo real conseguimos ter, como por exemplo o amor.

A relação sessão da tarde e Jogador Número 1 não acaba ai, já que o filme é repleto de referencias a jogos, filmes, series e musica dos anos 80 e 90, tudo muito bem apresentado e enraizado na história do filme pelo fato de Halliday ser um aficionado por essa época (onde ele viveu sua adolescência).

Mesmo no longínquo futuro de 2045 o mundo é bombardeado de referências a cultura pop, nos apresentando cenas que envolvem Chuchy, Akira, De volta para o futuro, O iluminado, Street Fighter, Mortal Kombat e muitas outras, fazendo com que o espectador fique em alerta total pois a cada segundo pode surgir uma referência de um canto ou de outro.

Toda essa orgia de referências e citações que o filme apresenta em alguns momentos atrapalha a experiência do filme, fazendo que a gente fique mais preocupado em achar todas elas do que prestar atenção no plot, talvez sendo esse o motivo do plot ser simples e direto, sem rodeios e sem grandes suspenses, onde até mesmo a trilha do filme e efeitos sonoros escolhidos servem para deixar mais na cara ainda o que aquela cena está tentando nos falar.

O ponto que mais me causou estranheza no filme foi um “furo” que Spielberg trouxe para o cinema, que faz a cidade de Ohio (local onde Wade mora) parecer uma grande esquina, onde todo mundo se encontra (mas somente assistindo o filme para entender essa “crítica” com as escolhas do diretor).

Jogador Número 1 é um ótimo filme de aventura, coerente em sua construção, do tipo que faz falta nos cinemas hoje em dia, e consegue mesmo com furos e problemas de identidade resgatar esse espirito aventureiro e transportar o publico para o mundo magico, maluco e cheio de referencias de Oasis, com uma pitada de Fantastica Fabrica de Chocolate, um pouco de Goonies, uma dose de De volta para o Futuro, e de tudo mais que você quiser inserir nessa mistura criativa.

NOTA:  (BOM)

Texto por: Luis Hunzecher